O Boletim - Outubro/2005 - ANO XLVIII - Nº 575


• REFLEXÕES COM BEZERRA
• EDITORIAL
• PARA LER E REFLETIR
• LIVRO DO MÊS
• MOMENTO DE POESIA
• VULTO DO MÊS
• PÁGINA AO JOVEM
• NO MUNDO DO ESPERANTO
• LEMBRETE FRATERNO
• NOTÍCIAS
  



Bezerra convida-nos à reflexão

CONVITE

 

 

Prepara o teu coração para a festa do céu. Prepara-o com amor, como se fosses um pastor humilde em pleno campo festivo, da natureza em flor, cercado por mansas ovelhas.

Prepara-o como se fosses um jovem a espera da noiva, uma flor a espera do orvalho, ou a terra ressequida aguardando a gota de água fresca.

Prepara o teu coração para a festa do céu.

Estende sobre o santuário íntimo de tua alma a toalha branca da paciência e ergue os clarões da fé viva para iluminá-lo.

Abre teu coração à generosa influência do Alto e recebe as inspirações de compaixão, piedade, caridade, amor para o teu semelhante.

Prepara-o no perdão sincero, como flores de imaculada beleza a irradiarem o perfume celestial.

Ergue-te cada manhã, disposto a cumprir um programa de trabalho cristão, sintetizando-o humildemente, no aproveitamento das horas, na oferta do próprio ser, em homenagem Àquele que foi e será sempre o grande Mestre da Luz.

Não olvides que o mundo necessita de mais fé, de mais esperança e principalmente de mãos operosas para a grande tarefa do Senhor.

Não esqueças que o Mestre te confiou uma parte da sua divina seara, no pequeno recanto do teu lar, no santuário da tua profissão, e nos corações que te cercam.

Vibra, pois, intensamente, em favor dos que sofrem, rogando para eles paz e luz.

E tua prece, será doce medicamento a atingir o alvo, levando e conforto.

Ora para que em torno de teus passos se realize a vontade soberana e serve sempre mais, para que Jesus te ilumine sempre mais.

Vem, meu irmão, não te deixes abater diante da própria dor.

Soleniza o momento celeste da hora presente, preparando-te para a festa do céu.

E com muito amor, eleva-te pela prece, pelo trabalho e pela vigilância, para que Jesus seja contigo hoje e sempre.

Bezerra

Fonte: PAIVA, Maria Cecília. Veleiro de Luz , 2.ed.. Rio de Janeiro,RJ: Editora Espiritualista Ltda.p.107

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EDITORIAL

O Movimento Espírita reserva o mês de outubro para as homenagens especiais ao Codificador Allan Kardec, que contribuiu para uma revolução no pensar e agir de milhões de pessoas.

É a oportunidade de relembrarmos a mensagem kardequiana, sempre atual, sempre edificante, trazendo à luz comentários que traduzem toda a filosofia implícita no Cristianismo.

Na medida em que o tempo passa, a perspectiva histórica do Espiritismo faz com que nos defrontemos com contornos originais da doutrina, como se estivéssemos diante de um caleidoscópio místico a nos surpreender com figuras inusitadas.

Kardec é surpreendente porque as suas assertivas de 1864, lidas agora, revelam uma atualidade impressionante, mostrando que elas têm a natureza divina, pois falam ao coração do homem e não a uma circunstância temporal.

Quando olhamos para as distorções que vicejam nos ‘arraiais espiritistas', como diziam os antigos, ficamos cada vez mais convencidos da importância de se estudar a doutrina, como enfatiza o Professor de Lyon, e entendê-la pelo espírito e não apenas pela palavra, para evitarmos interpretações extemporâneas que em nada contribuem para o curso esperado da codificação.

É tempo de procurarmos exemplificar na fraternidade, na tolerância, na benevolência, na humildade e no respeito ao próximo. Somos todos aprendizes, conforme enfatiza Emmanuel e, como tal, precisamos nos unir em torno de um ideal bem maior que nossas intemperanças terrenas.

A Lei do Pai não abre exceções, somos responsáveis por nossos atos e dia a mais ou a menos, vamos ter que nos ajustar, não à nossa vontade, mas à Daquele que nos comanda e, nessa hora, vamos entender, pelo espírito, o que ficou registrado em João, 10:16 - “ Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor”.

 

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MOMENTO DE POESIA

SALVE KARDEC

Sobre a Terra de sombra e de amargura
A treva espessa e triste se fizera.
A Ciência e a Fé nas asas da quimera
Mais se afundavam pela noite escura.

A alma humana de então se desespera,
E eis que das luzes místicas da altura
Desce outra luz confortadora e pura,
De que o mundo infeliz se achava à espera.

E KARDEC recebe-a sobre o abismo
Espalhando as lições do Espiritismo
Em claridade de consolação.

Emissário da Luz e da Verdade.
Entrega ao coração da Humanidade
A Doutrina de Amor e Redenção.

Casimiro Cunha

Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Doutrina e Vida.

 

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LIVRO DO MÊS

O QUE É O ESPIRITISMO - Allan Kardec. Rio de Janeiro, RJ: FEB.

COMENTÁRIO: Obra sempre atual, útil aos adeptos da Doutrina Espírita, como também àqueles que desejam conhecer a natureza do Espiritismo e a definição de seus pontos fundamentais.

A lógica e o bom senso de Allan Kardec aí se evidenciam, desconcertando os negativistas e clareando as indagações dos que acreditam e aspiram a vida superior.

Divide-se em 3 capítulos: no primeiro, apresenta respostas àqueles que desconhecem os princípios básicos da doutrina; o segundo, caracteriza-se como um resumo de O Livro dos Médiuns ; o terceiro publica o resumo de O Livro dos Espíritos . Ainda contém a biografia de Allan Kardec, por Henri Sausse.
 


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VULTO DO ESPIRITISMO

EMMANUEL

 

Emmanuel, exatamente assim, com dois “m”, se encontra grafado o nome do Espírito, no original francês L'Évangile selon le Spiritisme (abril de 1864), em mensagem datada de Paris (1661) e inserida no cap. XI, item 11, da citada obra, intitulada O egoísmo ..

O nome ficou mais conhecido, entre os espíritas brasileiros, pela psicografia do médium mineiro Francisco Cândido Xavier. Segundo ele, foi no ano de 1931 que pela primeira vez, numa das reuniões habituais do Centro Espírita, se fez presente o bondoso espírito Emmanuel.

Descreve Chico: “ Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz.”

Em vidas anteriores, foi senador romano, descendente da orgulhosa “gens Cornelia” e, também sacerdote, tendo vivido inclusive no Brasil. De 24 de outubro de 1938 a 9 de fevereiro de 1939, Emmanuel transmitiu ao médium mineiro as suas impressões, dando-nos a conhecer o orgulhoso patrício romano Públio Lentulus Cornelius, em vida pregressa, Públio Lentulus Sura, e que culminou no romance extraordinário: Há dois mil anos. Públio é o homem nobre e Roma é o seu mundo e por ele batalha. Não admite a corrupção, mostrando, desde então, o seu caráter íntegro. Intransigente, sofre, durante anos, a suspeita de ter sido traído pela esposa a quem ama. Para ela, nos anos da mocidade, compusera os mais belos versos:

 

“Alma gêmea de minh'alma/ Flor de luz da minha vida/ Sublime estrela caída/ Das belezas da amplidão...” e, mais adiante :“És meu tesouro infinito/ Juro-te eterna aliança/ Porque eu sou tua esperança./ Como és todo o meu amor!” Tem a oportunidade de se encontrar pessoalmente com Jesus, mas entre a opção de ser servo de Jesus ou servo do mundo, escolhe a segunda. Não é por outro motivo que escreve, ao início da citada obra mediúnica : “Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas,mas profundamente dolorosas, considerando o meu coração empedernido que não soube aproveitar o minuto radioso que soara da vida de Espírito, há dois mil anos.”

Desencarnou em Pompéia, no ano de 79, vítima das lavas do vulcão Vesúvio, cego e já voltado aos princípios de Jesus.

No ano de 131, renasce em Éfeso. De origem judia, foi escravizado por ilustres romanos que o conduziram ao antigo país de seus ascendentes. Nos seus 45 anos presumíveis, Nestório mostra no porte israelita um orgulho silencioso e inconformado. Apartado do filho, que também fora escravizado, tornaria a encontrá-lo durante uma pregação nas catacumbas onde tinha a responsabilidade da palavra. Cristão, desde os dias da infância, é preso e, por manter-se fiel a Jesus, é condenado à morte. Com os demais, ante o martírio, canta, dirigindo os olhos para o Céu e, no mundo espiritual, é recebido pelo seu amor, Lívia.

Pelo ano 217, podemos encontrá-lo nas vestes de Quinto Varro (consultar a obra Ave Cristo ), patrício romano, apaixonado cultor dos ideais de liberdade. Afervorado a Jesus, sente confranger-lhe a alma a ignorância e a miséria com que as classes privilegiadas de Roma mantinham a multidão. Vítima de uma conspiração para matá-lo, durante uma viagem marítima, toma a identidade de um velho pregador de Lyon de nome Corvino. Transforma-se em Irmão Corvino, o moço, e se torna jardineiro. Condenado à decapitação, tem sua execução sustada, sendo-lhe concedida a morte lenta no cárcere. Onze anos após, renasce e toma o nome de Quinto Celso. Desde a meninice, iniciado na arte da leitura, revela-se um prodígio de memória e discernimento. Era um adolescente de mais ou menos 14 anos. Sofreu o martírio no circo, amarrado a um poste untado com substância resinosa ao qual é ateado fogo.

Sua derradeira reencarnação se deu a 18 de outubro de 1517, em Sanfins, Entre-Douro-e-Minho, em Portugal, com o nome de Manoel da Nóbrega, ao tempo do reinado de D. Manoel I, o Venturoso.

Ingressou na Universidade de Salamanca, Espanha, aos 17 anos. Aos 21, está na Faculdade de Cânones da Universidade, onde freqüenta as aulas de Direito Canônico e de Filosofia, recebendo a láurea doutoral em 14 de junho de 1541. Vindo ao Brasil, foi ele quem estudou e escolheu o local para a fundação da cidade de São Paulo, a 25 de janeiro de 1554. A data escolhida, tida como o dia da conversão do apóstolo Paulo, pretende-se seja urna homenagem de Manoel da Nóbrega a Paulo de Tarso.

O historiador paulista Tito Lívio Ferreira encerra sua obra Nóbrega e Anchieta em São Paulo de Piratininga descrevendo: “Padre Manoel da Nóbrega fundara o Colégio do Rio de Janeiro. Dirige-o com o entusiasmo de sempre. Aos 16 de outubro de 1570, visita amigos e principais moradores. Despede-se de todos, porque está de partida para a sua Pátria. Os amigos estranham-lhe os gestos. Perguntam-lhe para onde vai. Ele aponta para o Céu. No dia seguinte, já não se levanta. Recebe a extrema unção. Na manhã de 18 de outubro de 1570, no próprio dia de seu aniversário, quando completava 53 anos, com 21 anos ininterruptos de serviços ao Brasil, cujos alicerces construiu, morre o fundador de São Paulo. E as últimas palavras de Manoel da Nóbrega são: “E vos dou graças, meu Deus, Fortaleza, minha , Refúgio meu, que marcastes de antemão este dia para a minha morte, e me destes a perseverança na minha religião até esta hora”. E morreu sem saber que havia sido nomeado, pela segunda vez, Provincial da Companhia de Jesus no Brasil: a terra de sua vida, paixão e morte .”

A título de curiosidade, encontramos registros que o deputado Freitas Nobre, já desencarnado, declarou, em programa televisivo da TV Tupi de São Paulo, na noite de 27 para de julho de 1971, que, ao escrever um livro sobre Anchieta, teve oportunidade de encontrar e fotografar uma assinatura de Manoel da Nóbrega, como E. Manuel.

Assim, o E inicial do nome se deveria à abreviatura de Ermano, o que, segundo ele, autorizaria a que o nome fosse grafado Emanuel, um “m” somente e pronunciado com acentuação oxítona.

 

 

Fonte: Expoentes da Codificação Espírita. Curitiba, PR: Federação Espírita do Paraná. p. 41

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LEMBRETE FRATERNO

Reflexões sobre Armas, Violência e Plebiscito

Bem-aventurados os pacíficos, porque
serão chamados filhos de Deus”
Mt, 5:9

O Mestre Nazareno, ensinando no Monte, chamou a nossa atenção para a importância de cultivarmos a paz para sermos verdadeiramente filhos de Deus, e vivermos a brandura como forma de possuirmos a Terra.

O homem, com sua visão toldada pela irracionalidade, pratica exatamente o contrário, como se as armas falassem mais alto que a razão.

Estamos vendo o mundo em que vivemos, mergulhado em um festival de vaidades, onde cada um reverbera a “sua” verdade e entende que a paz é imposta pelo mais forte.

O Sermão da Montanha é definitivo, é o código moral da cristandade e seu conteúdo deveria ser, não uma leitura para enlevar o espírito cristão, mas para trazer esse mesmo cristão ao compromisso para consigo e a coletividade onde vive.

Agora em outubro, vai ser feita uma consulta popular para sabermos se o comércio de armas de fogo deve existir, ou não.

O caminho para um mundo melhor tem que começar em algum ponto e esse ponto pode ser exatamente a privação da facilidade em se adquirir armas. A criatividade vai ter que substituir a facilidade de se puxar uma arma para resolver problemas e quando se desarma o braço, pode-se desarmar o coração também.

Quando falamos em proibição ao comércio de armas, vem logo à mente o argumento de que os nossos irmãos delinqüentes não se valem desse comércio para se armarem, sendo pois, uma medida inócua.

Os nossos irmãos ainda imersos nos desvios de conduta, como diz Emmanuel, sem dúvida precisam de uma resposta mais objetiva por parte da Sociedade e seus agentes. É um tratamento diferente e, infelizmente, doloroso.

São duas questões distintas e precisam ser tratadas de forma também distinta. O cidadão comum precisa criar uma cultura que o livre da prepotência das armas e o torne um negociador, que o faça conviver com o diálogo, envolver-se no difícil processo de ouvir e ouvindo, entender.

Ao eleger a brandura e a paz, como qualidades que trazem bem-aventuranças ao homem, o Cristo tacitamente condenou a violência, a cólera e mesmo a grosseria, para com o próximo. O Codificador, no Cap. XIX: 3, de O Evangelho Segundo o Espiritismo diz: “– A fé vacilante sente a sua própria fraqueza; quando a estimula o interesse, toma-se furibunda e julga suprir, com a violência, a força que lhe falece. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo”.

Não precisamos de armas de fogo, precisamos de amor e confiança, fé raciocinada e respeito pelo próximo, precisamos construir a paz e, se proibirem o comércio de armas hoje, é o primeiro passo para um mundo menos violento amanhã. O que deveria estar em discussão não é o direito de se comprar, ou não, uma arma e sim, a educação do coração para um mundo mais respeitoso.

É difícil modificar opiniões, nem temos essa pretensão; como aprendizes do Espiritismo, sabemos que o livre-arbítrio está acima delas, que a razão é o melhor argumento, que só o tempo e a reforma íntima é que irão transformar os endurecidos de agora.

Passamos essas reflexões para os que estão em dúvida e, para os que comungam da necessidade de um povo desarmado, vimos lembrar de um outro plebiscito, há muito tempo, onde o povo, ensandecido pela manipulação dos poderosos, fez uma escolha equivocada e preferiu a violência de Barrabás à mansuetude de Jesus.

Os fatos, ao longo dos últimos dois milênios, vieram demonstrar quem tinha a força e como é frágil a insustentável natureza das armas.

Assaruhy Franco de Moraes

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PÁGINA AO JOVEM

 
   

A MEDALHA

Quando menino, ganhei urna medalha na escola como prêmio ao aluno que sabia ler melhor. Senti-me feliz e estufei de orgulho. Quando a aula terminou, voltei para casa correndo e entrei na cozinha como um furacão. A velha empregada, que estava conosco havia muitos anos, ocupava-se no fogão.

Sem nada comentar fui direto a ela, dizendo-lhe:

— Aposto que sei ler melhor do que você.

E estendi-lhe o meu livro de leitura. Ela interrompeu o seu trabalho e tomou o volume. Examinando cuidadosamente as páginas, terminou por gaguejar:

? Bem, meu filho... eu... eu não sei ler.

Fiquei atônito. Sabia que papai estava em seu escritório àquela hora e voei para lá. Ele ergueu a cabeça quando eu entrei, suando, com o rosto em fogo e lhe disse:

? Imagine, papai, a Maria não sabe ler. E é uma velha. Eu, que ainda sou pequeno, já ganhei até medalha. Olhe só! ? E estufei o peito para a frente para que ele visse o meu troféu.

E perguntei:

— Deve ser horrível não saber ler, não é, papai?

Com toda a tranqüilidade, meu pai ergueu-se, foi até uma estante e voltou de lá com um livro.

— Leia este livro para eu ver, meu filho. Foi maravilhoso você ter ganho a medalha. Leia para eu ouvir.

Não titubeei, abri o volume e olhei para o meu pai cheio de surpresa. As páginas continham o que pareciam ser centenas de pequenos rabiscos.

— Não posso, papai. Eu não entendo nada disto que está aqui.

— É um livro escrito em chinês.

Imediatamente me lembrei do que fizera a Maria e me senti envergonhado.

Papai não disse mais nada e eu, pensativo, deixei o livro em sua escrivaninha e saí.

Até agora, toda vez que me sinto tentado a jactar-me por qualquer coisa que tenho feito, lembro-me do quanto ainda me falta aprender e digo de mim para comigo:

? Não se esqueça que você não sabe ler chinês!

 

Fonte: RODRIGUES, Wallace Leal V. E, para o resto da vida... . 5. ed. Matão, SP: Casa Editora O Clarim, 2001, p.34.

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NO MUNDO DO ESPERANTO

ESPERANTO – CONCORRÊNCIA ZERO

José Carlos Cintra

Durante a aula inaugural de um curso de Esperanto no Centro Cultural da USP, em São Carlos, indaguei dos alunos qual seria o maior concorrente do Esperanto. Responderam que é a língua inglesa. Em seguida perguntei pelo segundo maior concorrente e a maioria respondeu o espanhol. Perguntando sobre o terceiro, muitos disseram ser o francês.

E aí causei uma grande surpresa ao contestá-los, dizendo que o Esperanto tem concorrência zero entre as principais línguas do mundo. E por que o Esperanto não tem concorrente algum entre tais línguas?

Desde a sua criação, o Esperanto foi concebido para funcionar como segunda língua de todos os povos. Ao ainda menino Zamenhof, que vivia numa região onde se falavam vários idiomas, muito incomodava a ocorrência de desavenças decorrentes do desconhecimento da língua do "vizinho". Quando aquele jovenzinho começava a imaginar um idioma neutro, para viabilizar a comunicação entre povos com línguas maternas diferentes, já estava presente o ideal da compreensão mútua entre os homens.

Ao Esperanto é inerente o conceito da convivência pacífica, da fraternidade, da amizade verdadeira. Alguma outra língua tem característica similar? Não, nenhum concorrente.

Posso dar vários exemplos sobre essa marca registrada do Esperanto. Ao realizar um estágio de um ano, em Nantes, na França, o grupo esperantista local acolheu-me de uma forma extraordinária. Recepcionaram-me no aeroporto de Paris, hospedaram-me enquanto procurava uma moradia e até me emprestaram quase toda a mobília para o apartamento alugado. Mas me foi de muita valia o fato de me oferecerem prontamente a sua amizade. Recém-chegado a um país estrangeiro, já contava com muitos amigos, o que se traduzia em diversos convites para visitas, almoço ou jantar, passeios na região etc. O que eu havia feito para merecer tudo isso? Nada. Apenas me apresentara como esperantista.

Em Guadalajara, no México, o meu hospedeiro esperantista, contatado previamente, foi me buscar no aeroporto. Ao chegar em sua casa, reparei que todos estavam de saída para a festa de casamento de alguém muito importante. E me convidaram para ir também. Imaginando que, caso aceitasse, iria atrasá-los, pela necessidade de um banho, trocar de roupa e até passar a roupa amassada que deveria estar na mala, aleguei cansaço da viagem e declinei do convite. Então eles se foram todos, mas antes me mostraram o quarto, o banheiro e a cozinha, indicando-me a geladeira e colocando-me à vontade para me servir do que quisesse. Muitas horas depois, de madrugada, estava dormindo, quando ouvi barulho e deduzi que estavam chegando de volta. Já imaginaram tamanha confiança? Receber em casa um estrangeiro que acabara de conhecer, entregar-lhe a chave e deixá-lo sozinho por várias horas? O detalhe diferencial é que esse estrangeiro fala o Esperanto. Só isso.

Outra característica marcante do Esperanto é ser o idioma mais democrático do mundo. Com o Esperanto, não há privilégios. Todos o tem como segunda língua. É a mais pura democracia no campo da comunicação lingüística. Ninguém tem a vantagem de usar a sua língua materna na conversação com estrangeiros. Por esse aspecto também o Esperanto não tem concorrente entre as línguas mais faladas.

Finalmente, o uso do Esperanto em países estrangeiros nos dá uma incomparável sensação de igualdade. Nós não nos sentimos estrangeiros ao nos comunicar em Esperanto fora do nosso país. Mas, sobretudo, nós não somos recebidos e tratados como estrangeiros. Por quê? Apenas porque somos esperantistas. Alguma outra língua pode nos proporcionar uma sensação dessa? De modo algum.

Essa igualdade no plano pessoal e individual pode ser estendida para as relações entre nações. Por ser neutro, o Esperanto não provoca nenhuma espécie de supremacia cultural de determinado povo. Ao contrário, valoriza as culturas  nacionais e contribui para a não-extinção de idiomas nacionais ou locais. Enquanto cada povo criou a sua língua  (e deve conservá-la), o Esperanto criou o seu povo. Por tudo isso, pode-se afirmar, sem nenhuma dúvida, que o Esperanto tem concorrência zero.

 

(Transcrito do informativo Peregrino. Ribeirão Preto – SP. maio de 2005 - página 10)

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NOTÍCIAS
- DO CEBM

•  Você já visitou nosso site? Procure-o no endereço www.bezerramenezes.org.br , e você poderá ter o Centro em seu lar durante 24 horas. Navegue em suas páginas, você continuará a receber o conforto que em nosso Centro recebe.

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•  LIVROS ESPÍRITAS USADOS. A livraria possui uma banca de livros usados. Necessitamos de sua colaboração. Doe livros espírita usados em bom estado . O benefício será para todos e, assim estaremos divulgando a doutrina e proporcionando meios de aquisição de obras por preço acessível. Colabore!

 

- DO 12º CEU

•  ENCONTRO EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM – INFÂNCIA ( para evangelizadores) – dia 30 de outubro de 2005, das 15:00 às 19:00, na Sociedade Espírita Jorge. Realização da Área de Evangelização Infanto-Juvenil e de Lares, do 12º CEU / CEEU

 

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PARA LER REFLETIR

Irmão de jornada. Abençoa a prova redentora que te eleva e equilibra.

Quando a subida se fizer mais difícil, faze uma pausa, adentra o santuário silencioso da prece, e sentirás a presença amiga daqueles que te amam e te guiam.

Esvazia a mente de todo pensamento sombrio.

Recebe cada amanhecer como promessa de novas vitórias.

Prepara-te para o repouso noturno como quem segue novos aprendizados, na companhia dos benfeitores espirituais.

Nada temas.

Segue e confia, abrigando-te sempre no recanto pacífico da tua consciência, onde te sentirás seguro e feliz, porque ali habita o Pai.” (Scheilla)

•  “As gotas que enchem um copo unem-se em seu interior e saciam a sede de uma criatura. No entanto, por mais brilhante e pura que seja a gota, se cair por terra sozinha, tornar-se-á lama e para nada servirá. A cooperação é a base da utilidade.” (Carlos Torres Pastorino)

•  “Necessitas de serenidade a cada passo. Serenidade para discernir, atuar e viver. A vida é galopante e muda os seus cenários a cada minuto, exigindo permanente serenidade a fim de não esmagar as pessoas. Quem se aflija e tente seguir a velocidade ciclópica destes dias, arrebenta-se, porque sai de uma situação com muita rapidez, sem mesmo tempo para adaptação na fase anterior.” (Joanna de Ângelis)

•  “Todos temos o direito de escolher o que vamos fazer com as lições que a vida nos oferece. Mas, sem dúvida, se recusarmos o desafio de compreendê-las e assimilá-las, essas mesmas lições voltarão revestidas em novas embalagens.” (Hammed)

“Se, porém, buscamos o Mestre guardando no coração puro o propósito sincero de amar e servir, estejamos convictos de que o próprio Cristo virá ao nosso encontro, como foi ao encontro daqueles Espíritos humildes e leais que Ele transformou em Apóstolos abnegados.” ( Fonte de Luz )

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