O Boletim - Maio/2005 - ANO XLVII - Nº 570


• REFLEXÕES COM BEZERRA
• EDITORIAL
• PARA LER E REFLETIR
• LIVRO DO MÊS
• MOMENTO DE POESIA
• VULTO DO MÊS
• PÁGINA AO JOVEM
• NO MUNDO DO ESPERANTO
• LEMBRETE FRATERNO
• NOTÍCIAS
  



Bezerra convida-nos à reflexão

CARIDADE EM MARCHA

Não sigais descuidosamente.

Compassai movimentos ao ritmo da ternura, no trato de todos os prisioneiros da provação
que nem mesmo se percebem no sofrimento maior.

Crianças que, durante o dia, engolem a poeira alegremente e, à noite, entrebatem os
próprios dentes sob o vento gelado, a tremer sem sentir.

Escolares sem escola, alentando os vermes que lhes comem, vorazes,
as entranhas anêmicas.

Mocinhas que fogem de pensar nos problemas que lhes retalham a vida,
cantarolando a modinha antigramatical.

Rapazes analfabetos que conhecem a moradia pela forma dos edifícios e as cédulas pela cor.

Operários tuberculosos que vomitam sangue no intervalo dos seus próprios serviços.

Colonos que enganam o estômago famulento com porções de água salobra, em choças sem espaço, sem ar e sem luz.

Lidadores que aceitam as doenças mais graves por férias forçadas para quebrar a monotonia.

Irmãos nossos que a obsessão escraviza à garrafa.

Homens precocemente envelhecidos que conversam sobre os mesmos assuntos de há dez anos.

E aquele indigente que procuramos para dar um vintém e que já foi enterrado, há muito tempo, em lugar que ninguém sabe...

Enquanto respirarem semelhantes companheiros padecentes que esperam e se desesperam perto de nós, quais figuras humanas a se esfumarem na margem do caminho que perlustramos, é natural que a alegria perfeita fuja de nós.

Servi o próximo incansavelmente, agora, para que a bondade vos seja inata na próxima encarnação.

Não apelamos aqui somente para os Espíritos encarnados que enfrentam a prova da fortuna e que, em muitas ocasiões, já são ricos amoedados antes de renascer... Dirigimo-nos especialmente aos irmãos da luta vulgar, aos companheiros anônimos, ainda mais afortunados que os milionários da Terra, pelo conhecimento espiritual que possuem, e cujas existências, vezes e vezes, se compõem de horas perdidas e esvoaçantes, na atmosfera das expectativas inúteis.

O espírita-cristão será sempre um homem de instrumentos diversos que busca desempenhar funções multiformes, segundo as injunções em que vive.

Será enfermeiro, consolando os doentes; condutor, dirigindo cegos; preceptor, instruindo crianças; costureiro, vestindo nus; cozinheiro, saciando os famintos; mentor, indicando rumo certo aos vizinhos desorientados; pai, junto aos filhos de ninguém, e irmão de quem passe ou lhe surja à frente.

Distribuamos, de alma a cantar, o pão, a veste e o livro; o sorriso, a palavra e a oração; o consolo, a esperança e a fé...

Caridade em marcha!

Se Jesus é o nosso Amigo Constante, é também o Mestre de Sempre, a recordar-nos em cada trecho da vida: — “Em verdade vos digo que, quanto fizerdes a um destes meus pequeninos irmãos, é a mim que o fazeis.”

Bezerra de Menezes

FONTE: VIEIRA, Waldo. Seareiros de Volta . 3.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1976. p. 63-4


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EDITORIAL

Folheando algumas edições da Revista Espírita , encontramos na edição de janeiro de 1866 um artigo de Allan Kardec com o expressivo título: “ A Mulher tem Alma?”

Ali vamos perceber a riqueza e a mensagem do Espiritismo, pois enquanto a mulher se ressente da herança que civilizações antigas legaram a todos os que influenciaram o Cristianismo, vai encontrar na Codificação de Kardec questionamentos que procuram resgatar a sua dignidade como ser humano.

No Capítulo IX de O Livro dos Espíritos , Allan Kardec, em seu colóquio com os amigos espirituais, a partir da questão 817 até a 821, oferece inesquecíveis argumentos para que tenhamos uma profunda reflexão sobre o quanto ainda está a humanidade atrasada quando avalia as pessoas pelo sexo e, por extensão, pela cor, religião ou nacionalidade.

O magistério do codificador nos esclarece que a alma feminina é um reduto das melhores aspirações da humanidade, mas apenas como figura de didática, visto que o Espírito não tem sexo e a sua participação em uma personalidade masculina ou feminina, vai depender de suas necessidades evolutivas, pois “Deus outorgou a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir.”

Na medida em que as imposições da vida moderna colocaram a mulher em uma posição de maior participação na economia doméstica, está sendo possível que ela possa ser vista com mais respeito e consideração.

Na seara espírita, um grande número de mulheres deixou a sua marca indelével, pelo exemplo e pelo trabalho, pela fé e pelo testemunho, no Brasil e no mundo: Anália Franco, Eusápia Paladino, Ana Prado, Adelaide Câmara (Aura Celeste), Meimei, Corina Novelino, Auta de Souza, Zilda Gama, Clélia Rocha, Amélie Boudet, Joanna de Ângelis, e um expressivo número de tantas outras dedicadas seareiras do bem.

E entre todas as mulheres, com todas as certezas do mundo, não poderíamos deixar de lembrar, agora em maio, daquela que contribuiu com sua sensibilidade e amor, para a nossa formação: nossa mãe!

Que Jesus abençoe a todas essas maravilhosas mulheres.

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MOMENTO DE POESIA

MEU TESOURO

Agradeço, Senhor, o mundo em verde e flor que nos fizeste...
— A Terra, o lar de luz que se equilibra em pleno Lar Celeste!...
Agradeço a esperança que me acalenta o ser,
a bênção de servir, o dom de compreender.
Agradeço a amizade em que meu coração se renova e se ufana,
toda vez que se alegra ou se refaz, no entendimento da ternura humana.
Agradeço a lição do sofrimento, no cadinho da prova em que me exaltas,
entregando-me a dor por auxílio divino e apagando
em silêncio as minhas próprias faltas!...
Agradeço a instrução e o carinho da escola,
o socorro do bem e a palavra tranqüila que me ajuda ou consola!...
Agradeço a alvorada, o sol que me sustenta e acaricia,
a noite que me acalma o pensamento, o pão de cada dia.
Entretanto, meu Deus, mais do que tudo, agradeço-te a prece enternecida,
o regaço materno que me trouxe para a glória da vida!...
Em tudo, em todo tempo e em toda parte, sê bendito, Senhor,
pela santa Mãezinha que me deste, meu tesouro de amor!

Maria Dolores

FONTE: XAVIER, Francisco C. Mãe - Antologia Mediúnica. Compilação de Wallace Leal V. Rodrigues. 5.ed. Matão, SP: O Clarim. 1987. P. 42-3

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LIVRO DO MÊS

RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS
Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 12.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999

Veicula o estudo em torno da substância religiosa de O Livro dos Espíritos , com interpretações valiosas de várias das respostas dadas pelos Espíritos Superiores, numa exposição clara e segura dos conceitos doutrinários.

O autor espiritual, no prefácio da obra, afirma que “o primeiro livro da Codificação Kardequiana é manancial tão rico de valores morais para o caminho humano que bem pode ler considerado não apenas como revelação da Esfera Superior, mas igualmente como primeiro marco da Religião dos Espíritos, em bases de sabedoria e amor, a refletir o Evangelho, sob a inspiração de Nosso Senhor Jesus-Cristo.”

Caro leitor: Recomendamos a leitura da obra indicada e o estudo permanente de O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 148 ANOS

 

 

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VULTO DO ESPIRITISMO

MME. RUFFINA NOEGGERATH

Mme. Ruffina Noeggerath é autora da importante obra A vida de Além-Túmulo , que consta de dois grossos volumes (...), com 450 páginas cada um. “Bonne-Maman”, assim chamavam-na pela sua excessiva bondade. (...) Rica e bela, Mme. Noeggerath, aos quarenta anos, assistiu o naufrágio de toda a sua felicidade. Viúva, completamente arruinada em suas finanças, encontrou no Espiritismo a consolação para as suas aflições e tornou-se uma fervorosa propagandista desta Doutrina. Dotada de grande atividade e de não menos vigor intelectual, Mme. Ruflina reunia em Paris, em sua sala, semanalmente, pensadores, escritores e artistas que se interessavam pelos estudos psíquicos. Ela os inspirava com os seus poderes admiráveis e guiava-os com os seus conselhos. Excessivamente boa e caridosa, dedicava grande parte do seu tempo a socorrer e consolar os desgraçados e principalmente as pobres viúvas que procuravam diariamente sua casa para obterem a consolação e a esperança que as sustentava durante o tempo que devia durar a dolorosa separação do ente querido.

Solicitada por M. Malgras para dizer algo sobre o Espiritismo, Mme. Noeggerath dirigiu a este publicista, em 23 de janeiro de 1905, a seguinte carta que foi publicada no livro “Pionniers du Spiritisme en France”:

“O Espiritismo me parece ser a solução mais lógica e a mais satisfatória dos grandes mistérios que procuramos penetrar. A prática do Espiritismo é simples, como tudo o que é sublime e verdadeiro. Para compreendê-lo, ouçamos o que diz Jesus, o mais poderoso dos médiuns, pois Ele possui todas as mediunidades: ‘Não procureis as sinagogas, nem as assembléias numerosas; reuni-vos três ou quatro; fechai-vos no vosso aposento e chamai-me que virei'.

Mas a Igreja tendo, com Constantino, decretado ser Jesus Deus, chamou milagres a todos os seus belos fenômenos, milagres fora dos poderes humanos.

Allan Kardec apareceu. Esse gênio encarnou-se como um simples mortal para nos provar que os homens possuíam os meios naturais de obter, pelos fatos, as provas da sobrevivência, da evolução progressiva de todos os seres e da comunicação entre os vivos e os mortos; e repetiu as palavras de Jesus: ‘Não busqueis as igrejas, as grandes assembléias; reuni-vos três ou quatro em vosso aposento, chamai os espíritos amados e eles virão'. De fato eles têm vindo por intermédio dos médiuns que sabem cumprir nobremente a sua missão. Eduquemos moralmente os médiuns desenvolvamos suas faculdades, estabeleçamos entre eles e nós uma corrente de simpatia e de confiança. Saibamos amar e o que o nosso coração pedir havemos de obter. Inúmeras sessões têm provado esta verdade. (...)“.

A obra de Ruffina Noeggerath que, como dissemos, compreende dois grossos volumes, trata da sobrevivência, sua realidade, sua manifestação, sua filosofia, um repositório enorme de comunicações obtidas durante vinte e quatro anos sucessivos. Esse livro é prefaciado por Camille Flamarion, que elogiando autora, faz um longo exórdio sobre necessidade do estudo e da experimentação para resolvermos, cada um, com conhecimento de causa, o problema que mais afeta a nossa felicidade. (...)

Mme. Ruffina Noeggerath faleceu a 15 de abril de 1908, com a idade de 87 anos. (...) Traçando o necrológio Mme. Ruffina, disse Léon Denis: “A vida desta mulher é uma maravilha: sem desfalecimento ela consagrou 40 longos anos ao cultivo das verdades espíritas ainda desconhecidas ou repudiadas por muitos, estas verdades que pertencem ao futuro porque se apóiam na ciência experimental, na filosofia e na mais alta e pura moral.”

FONTE: RIE — Revista Internacional de Espiritismo. Matão, SP: O Clarim. Ano LXXIX. Nº 11. Dezembro de 2004. Texto original na RIE de 15 de outubro de 1926

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LEMBRETE FRATERNO

Reflexões sobre Amar e Perdoar

“Ouviste o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu
inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos
e orai pelos que vos perseguem;”
Mateus, 5: 43-44

Allan Kardec nos ensina que amar os inimigos não é ter-lhes uma afeição que não está em nossa natureza, nem tê-los na mesma proporção de amigos fraternos.

O ideal seria não classificá-los, sequer, como inimigos, mas sim, no dizer de Emmanuel, irmãos entre os quais ainda não se estabeleceu uma boa sintonia.

Kardec ensinando, nos faz ver que a primeira etapa para acertarmos essa falta de sintonia é exatamente a intenção de não guardarmos ódio, nem rancor, não imaginarmos situações de vingança que nos dêem prazer ou mesmo alegria, quando algo de ruim acontece com os nossos antagonistas. É nunca opor obstáculos à reconciliação e sempre lhes desejar o bem, nunca o mal, retribuindo o mal com o bem sem humilhá-los, perdoando-os sem pensamentos ocultos e sem condições.

Não seriam esses aspectos provas de amor? Aquele amor universal, orientado por Deus, para que tenhamos respeito pelos nossos semelhantes? Perdoar é amar, quem perdoa oferece o coração, vence obstáculos, supera barreiras – e seguir Kardec não é exatamente isso? Criando condições para que, a nosso turno, sejamos também perdoados?

Muitos, comodamente, dizem que só Deus perdoa, mas na verdade, quando dizem isso, estão transferindo para o Pai, um gesto de grandeza que só a eles cabe... Como pode ser entendido que Deus perdoa em nome de alguém, uma ofensa que esse alguém recebeu? E o valor individual, onde está?

É certo que Deus perdoa, mas isso ocorre em uma outra escala de valores. Quem ofende, ofende ao próximo e à lei de Deus, logo, é preciso que as partes se ajustem, se entendam, e aí sim, ante o crescimento mútuo, o Pai reconhece o esforço e certamente concede o perdão.

Amar os inimigos é identificar aquilo que nos separa e orar para que nos libertemos dessa mácula que nos impede o progresso, é tolerar para que sejamos tolerados.

O perdão, em si, não tem muita eficácia se não for acompanhado de um contrito entendimento de que os erros precisam ser corrigidos e nunca mais repetidos.

Jesus nos pede que amemos os inimigos, na mesma linha de conduta com que nos incentiva ao amor recíproco, que não façamos aos outros aquilo que não desejamos deles receber.

André Luiz, em “Sinal Verde”, diz que “... Se Jesus recomendou amarmos os inimigos, imaginemos com que imenso amor nos compete amar aqueles que nos oferecem o coração”. Creio que nessa frase, fica muito clara a diferença quanto a amarmos os inimigos.

É nesse sentido que Kardec, nossa grande referência, ensina que amar os inimigos, “não se circunscreve ao âmbito acanhado da Terra e da vida presente; antes, faz parte da grande lei da solidariedade e da fraternidade universais.”

Conta-se que certa vez, um homem chegou até Anchieta e perguntou: - Padre, como posso perdoar meu inimigo?

Ao que o missionário respondeu: - É simples, basta não odiá-lo.

Assaruhy Franco de Moraes

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PÁGINA AO JOVEM

O JOVEM NO CENTRO ESPÍRITA

Reconhecidamente , apostar na juventude é semear para o futuro.

É preparar seareiros para que a obra do Senhor se perpetue no mundo.

Juventude não é sinônimo de desocupação, nem de ausência de capacidades intelectuais ou morais; é, antes de qualquer coisa, um estado biológico, um período preparatório para a vida adulta, em que o caráter de cada criatura, como ser imortal, começa a se delinear.

Por isso, atenção, dedicação e oportunidade de servir devem ser atribuídas ao jovem que se apresentar para o serviço do Criador.

Devem os dirigentes espíritas, os companheiros experimentados na seara, incentivar e acompanhar, nos bastidores, a fim de que o companheiro na juventude possa se preparar assumindo tarefas e produzindo de maneira positiva no porvir.

Por isso, juventude:

Honra a oportunidade de servir, dedicando-te com idealismo e amor;

Abraça a prática do bem com responsabilidade a fim de que o teu senso de dedicação e compromisso para granjear, junto aos irmãos maduros, admiração e respeito;

Trabalha de maneira discreta e valoriza a amizade como se fosse o oxigênio para as tuas realizações;

Cultiva a fraternidade e age com dinamismo, contendo os arroubos da juventude, respeitando aqueles que se apresentaram para a tarefa com maior antecedência.

Lembra-te de que os cabelos encanecidos pelo tempo, geralmente, refletem, dentre outras coisas, experiência e autoridade conquistadas através de muitas lutas e incontáveis testemunhos ao longo dos anos;

Compreende, portanto, amando e servindo aqueles que te acolheram e, agora, declinam na existência, depositando na tua juventude o ideal que carregam com tanto fervor.

Prestigia e valoriza a casa espírita como templo cristão, e sente-te convocado à continuidade da obra e à edificação do bem.

Wilson Ferreira de Mello   

FONTE: CRISTIANO, Emanuel. Cartas ao Moço Espírita . Campinas, SP: Centro Espírita Allan Kardec, Departamento Editorial, novembro/2002, p.30-1

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NO MUNDO DO ESPERANTO

“La paco de Jesuo estu en la koroj de niaj karaj gefratoj”

VITÓRIAS

Não raro recebemos a seguinte interrogação: “Estará perto a vitória do Esperanto? Seria uma bela conquista, mas é tão lenta a sua marcha!”...

Se pelas palavras “a vitória do Esperanto” se entender o tempo em que a língua venha a ser ensinada obrigatoriamente em todas as escolas do mundo, por um acordo internacional de Governos, só Deus sabe quando virá tal tempo, ou se ele virá, como parece que o progresso indica. Mas, muito antes dessa vitória geral sobre as massas que só fazem o que são obrigadas a fazer, existe a vitória parcial entre os mais estudiosos e mais pensadores que não esperam ser compelidos a progredir, porque tomam por si mesmos a iniciativa de caminhar e ajudar a outros a caminharem rumo ao futuro. Há no mundo milhares ou milhões de pessoas progressistas que sabem o Esperanto e o empregam com as mais diversas finalidades práticas e idealísticas. Há os mais velhos que aprenderam a língua na infância e a empregam diariamente como instrumento de cultura mundial durante a vida toda, em leituras de livros, jornais, revistas, correspondência. Esses homens mais progressistas, que não esperam ordem dos Governos para aprender e cultivar uma disciplina que acham bela ou útil, são como os espíritas que não aguardam o tempo em que terão de ser obrigados a estudar a Doutrina nas escolas, mas desde hoje procuram aprendê-la e aplicá-la à vida. São minorias admiráveis, porque formadas de espíritos progressistas que já vivem num mundo que para as grandes massas só virá num remoto futuro.

A mesma pergunta poder-se-ia formular sobre o Cristianismo e ainda com mais razão, porque poder-se-ia acrescentar: “Enquanto os outros não forem cristãos, eu não poderei sê-lo, porque seria um cordeiro entre lobos, devorado inutilmente. Temos que cristianizar-nos todos de uma só vez, porque o cristão não poderia viver em nosso mundo atual; tornar-se-ia vítima indefesa.”

O mesmo quanto ao Espiritismo. E há sempre verdade no fundo de todas essas objeções. Ninguém pode ser um cristão ou um espírita perfeito em nosso mundo atual, porque as nossas organizações econômicas e sociais se opõem a isso, são baseadas na luta pela vida, na concorrência que esmaga os melhores em benefício dos piores.

Quanto ao Esperanto tudo é mais simples. Não podemos ser esperantistas perfeitos porque muitos estrangeiros, com os quais temos negócios, ainda nos forçam a empregar línguas diferentes da nossa e do Esperanto. O esperantista perfeito empregaria só duas línguas: a nacional com o seu povo e o Esperanto com todos os outros. Este ideal ainda não o podemos realizar com a atual divulgação do Esperanto. O autor destas linhas, no exercício de sua profissão, emprega inglês, italiano, francês, alemão, no trato com outros povos, além do português e do Esperanto.

No entanto, ninguém nega que o Cristianismo já tenha fervorosos adeptos que se sentem felizes pelo pouco que podem praticar da Doutrina; que os espíritas alterem fundamente sua conduta pelo estudo do Espiritismo.

O mesmo com o Esperanto. Já podemos ler milhares de livros excelentes, escritos e publicados por filhos de todas as raças, nesse único idioma tão fácil de aprender. Podemos levar nossas idéias, por meio de livros em Esperanto, a todos os rincões do Planeta, sem importar que em todos os países ainda haja muita gente que não saiba o idioma. Diante dessa minoria progressista que possui o Esperanto, devemos esquecer a imensa massa inculta que não o sabe, nem cogita de aprender. Essa massa recebe os benefícios indiretos, por meio de traduções do Esperanto para seus idiomas regionais.

Do nosso ponto de vista de idealista, de homens que possuem uma grandiosa idéia a divulgar pelo mundo, a parte da Humanidade que nos pode entender, a que mais nos interessa, é justamente essa minoria pensante que aprende Esperanto por sua livre e espontânea vontade, sem necessidade de ser obrigada por uma força externa. Portanto, para nós, o Esperanto já venceu, já é uma realidade presente e não uma esperança para o futuro....

FONTE: BRAGA, Ismael Gomes. O Esperanto na Visão Espírita – Editora Lorenz

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NOTÍCIAS:

 

VITÓRIAS

Não raro recebemos a seguinte interrogação: “Estará perto a vitória do Esperanto? Seria uma bela conquista, mas é tão lenta a sua marcha!”...

Se pelas palavras “a vitória do Esperanto” se entender o tempo em que a língua venha a ser ensinada obrigatoriamente em todas as escolas do mundo, por um acordo internacional de Governos, só Deus sabe quando virá tal tempo, ou se ele virá, como parece que o progresso indica. Mas, muito antes dessa vitória geral sobre as massas que só fazem o que são obrigadas a fazer, existe a vitória parcial entre os mais estudiosos e mais pensadores que não esperam ser compelidos a progredir, porque tomam por si mesmos a iniciativa de caminhar e ajudar a outros a caminharem rumo ao futuro. Há no mundo milhares ou milhões de pessoas progressistas que sabem o Esperanto e o empregam com as mais diversas finalidades práticas e idealísticas. Há os mais velhos que aprenderam a língua na infância e a empregam diariamente como instrumento de cultura mundial durante a vida toda, em leituras de livros, jornais, revistas, correspondência. Esses homens mais progressistas, que não esperam ordem dos Governos para aprender e cultivar uma disciplina que acham bela ou útil, são como os espíritas que não aguardam o tempo em que terão de ser obrigados a estudar a Doutrina nas escolas, mas desde hoje procuram aprendê-la e aplicá-la à vida. São minorias admiráveis, porque formadas de espíritos progressistas que já vivem num mundo que para as grandes massas só virá num remoto futuro.

A mesma pergunta poder-se-ia formular sobre o Cristianismo e ainda com mais razão, porque poder-se-ia acrescentar: “Enquanto os outros não forem cristãos, eu não poderei sê-lo, porque seria um cordeiro entre lobos, devorado inutilmente. Temos que cristianizar-nos todos de uma só vez, porque o cristão não poderia viver em nosso mundo atual; tornar-se-ia vítima indefesa.”

O mesmo quanto ao Espiritismo. E há sempre verdade no fundo de todas essas objeções. Ninguém pode ser um cristão ou um espírita perfeito em nosso mundo atual, porque as nossas organizações econômicas e sociais se opõem a isso, são baseadas na luta pela vida, na concorrência que esmaga os melhores em benefício dos piores.

Quanto ao Esperanto tudo é mais simples. Não podemos ser esperantistas perfeitos porque muitos estrangeiros, com os quais temos negócios, ainda nos forçam a empregar línguas diferentes da nossa e do Esperanto. O esperantista perfeito empregaria só duas línguas: a nacional com o seu povo e o Esperanto com todos os outros. Este ideal ainda não o podemos realizar com a atual divulgação do Esperanto. O autor destas linhas, no exercício de sua profissão, emprega inglês, italiano, francês, alemão, no trato com outros povos, além do português e do Esperanto.

No entanto, ninguém nega que o Cristianismo já tenha fervorosos adeptos que se sentem felizes pelo pouco que podem praticar da Doutrina; que os espíritas alterem fundamente sua conduta pelo estudo do Espiritismo.

O mesmo com o Esperanto. Já podemos ler milhares de livros excelentes, escritos e publicados por filhos de todas as raças, nesse único idioma tão fácil de aprender. Podemos levar nossas idéias, por meio de livros em Esperanto, a todos os rincões do Planeta, sem importar que em todos os países ainda haja muita gente que não saiba o idioma. Diante dessa minoria progressista que possui o Esperanto, devemos esquecer a imensa massa inculta que não o sabe, nem cogita de aprender. Essa massa recebe os benefícios indiretos, por meio de traduções do Esperanto para seus idiomas regionais.

Do nosso ponto de vista de idealista, de homens que possuem uma grandiosa idéia a divulgar pelo mundo, a parte da Humanidade que nos pode entender, a que mais nos interessa, é justamente essa minoria pensante que aprende Esperanto por sua livre e espontânea vontade, sem necessidade de ser obrigada por uma força externa. Portanto, para nós, o Esperanto já venceu, já é uma realidade presente e não uma esperança para o futuro....

FONTE: BRAGA, Ismael Gomes. O Esperanto na Visão Espírita – Editora Lorenz

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PARA LER REFLETIR

•  “Nossos sentimentos e emoções sempre estão nos dizendo sobre nossas necessidades e relações (físicas ou transcendentais) com os outros. (Hammed – Além do Horizonte . p. 89)

•  “Valoriza a existência terrestre e caminha para diante, convertendo a luta redentora em recurso de ascensão. Recorda que o tempo é o mordomo fiel da vida e se a Bondade do Senhor te concedeu para hoje a riqueza do corpo físico, a justiça d'Ele mesmo, espera-te, amanhã, para a conta imprescindível.” (Emmanuel – Atenção . p. 93)

•  “Cada alma pode criar com seus pensamentos uma atmosfera tão bela, tão resplandecente, como nas paisagens mais encantadoras; e, na morada mais mesquinha, no mais miserável tugúrio, há frestas para Deus e para o Infinito!” (Léon Denis – Conversando com Léon Denis – p.61)

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