O Boletim - Fevereiro/2005 - ANO XLVII - Nº 567


  

Bezerra convida-nos à reflexão

O ESTUDO DA DOUTRINA

Filhos, o estudo da Doutrina faz adeptos conscientes para a Causa.
Quem se aprofunda no conhecimento da Verdade solidifica a Fé.
Estudai em grupo, permutando impressões sobre os pontos doutrinários em análise, auxiliando os companheiros inexperientes a pensar com o Codificador, no entanto, quanto vos permitam as possibilidades de tempo, efetuai a vossas incursões solitárias nas obras que vos acrescentem luz ao espírito.
Não vos contenteis com apenas ler: estudai e meditai, não olvidando que a Verdade não é propriedade exclusiva de ninguém.
Fácil manifestar a Fé diante daqueles que vos observam os movimentos; difícil é o testemunho da Fé perante o altar da própria consciência, quando as provas da Vida vos conclamam à anônima exemplificação.
O estudo da Doutrina, aliado às atividades do Bem — estudo sistemático e atividades perseverantes —, robustece a crença, tornando-a inexpugnável aos ataques do cepticismo, que engendra o desalento.
Quem assimila o conhecimento não se contenta com o que lhe ensina a teoria: lança-se à aplicação do que já sabe, buscando entesourar o que somente a prática é capaz de transmitir.
Filhos, não vos afasteis dos livros da Codificação e das obras que vos mereçam credibilidade. Acautelai-vos contra aqueles que, sutilmente, possam vos arredar da lógica e do bom-senso doutrinários. Livros existem sob o rótulo de espíritas, que tão-somente nasceram das mentes superexcitadas de seus autores, veiculando teorias contraditórias e absorvendo o tempo dos leitores que as escolheram sem indicação séria.
Apartai o joio do trigo...
Os que estudam a Doutrina com interesse, procurando vivenciá-la, desenvolvem a capacidade de intuir, penetrando o espírito da letra e alcançando níveis superiores no que tange à interpretação da Verdade.
Estudai e bebereis diretamente na fonte a água que vos saciará toda a sede!

Bezerra de Menezes
Fonte: BACCELLI, Carlos A. A Coragem da Fé . Pelo Espírito Bezerra de Menezes — cap. 14

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EDITORIAL

DE NÓS PARA DEUS

De Deus para nós existe amor infinito: criou, desde todo o sempre, o fluido cósmico universal, matéria prima de tudo que é físico; criou, desde todo o sempre, o espírito que, na linguagem poética de Léon Denis, dorme na matéria, sonha no vegetal, agita-se no animal e desperta no hominal; criou, desde todo o sempre, leis eternas e imutáveis que regem o equilíbrio e o progresso dos dois planos — o material e o espiritual; criou-nos, portanto, a cada um de nós, na condição de seres imortais e perfectíveis, capazes de, do estado de simplicidade e ignorância, alcançar o de sabedoria e benevolência, através de múltiplas reencarnações.

Pai zeloso, enviou-nos, sucessivamente, na hora certa a primeira revelação — com Moisés, a segunda revelação — com Jesus, e a terceira revelação, com Kardec, com a finalidade de nos ensinar, respectivamente, os mandamentos de Suas leis; o caminho, a verdade e a vida que a Ele conduzem; o desenvolvimento e a consolidação da fé raciocinada que, apoiada na filosofia e na ciência, resulta no sentimento religioso que produz obras de bem e motiva a reforma íntima em cada um.

De nós para Deus é preciso haver um retorno — o religare.

Tudo que foi mencionado de Deus para nós , representaria um esforço ‘de fora para dentro' — em relação a nós — se não houvesse o esforço de ‘dentro para fora', acionado pela alavanca da vontade, que torna a criatura receptiva ao Amor do Criador, pela sintonia indispensável.

Assim como não basta ao professor ensinar, sendo preciso que o aluno seja receptivo ao ensinamento, assim também se dá com o lado imortal e perfectível de cada um de nós: é preciso entender as leis divinas, praticá-las no dia-a-dia exercitando-as na medida em que vão sendo assimiladas.

De nós para Deus é preciso haver abertura de coração, estado de espírito que se contrapõe ao materialismo, filho do egoísmo e do orgulho, ainda tão predominante em nossa Humanidade ; obediência às Suas leis, estado de espírito contrário à rebeldia e à irresignação; determinação na educação dos sentimentos, conseqüência direta da reforma íntima abraçada de maneira voluntária, consciente e permanente: estudo constante dos ensinamentos que nos enviou através de Seus emissários, principalmente da obra de Kardec — a Doutrina Espírita, por conter ela a essência da primeira e da segunda revelações, acrescentando os da terceira, coordenados pelo Espírito de Verdade, conforme promessa do próprio Cristo: exercício da prática do bem em todos os sentidos, cultivando o amor em relação ao próximo até o limite de nossas possibilidades, no lar, no trabalho, na sociedade, em toda parte.

De nós para Deus , espíritas que somos, cumpre-nos, ainda, vivenciar com amor as tarefas que abraçamos na Casa e na Causa espiritistas, exercitando-as com a fé que transporta montanhas, buscando ser dignos trabalhadores da última hora, dando de graça o que de graça recebemos, preparando o terreno e buscando dar o bom exemplo aos jovens e às crianças da nova geração na fase de regeneração que se inicia no planeta.

Transcrição parcial do Editorial – Revista Internacional de Espiritismo. Janeiro de 2005. p. 618      

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MOMENTO DE POESIA

PALAVRAS DE CARIDADE

O apoio ... A simpatia ... Uma oração apenas,
Carregada de fé na Bondade Divina...
A bênção do sorriso ... A página que ensina
A vencer o amargor das lágrimas terrenas...

O minuto de paz ... O auxílio que armazenas,
Na supressão do mal, ao trabalho em surdina...
O bilhete fraterno ... Uma flor pequenina ...
O socorro ... A brandura ... As palavras serenas...

A esmola ... A roupa usada ... O copo de água fria...
O pão ... O entendimento ... Um raio de alegria...
Um fio de esperança ... A atitude sincera...

Da migalha mais pobre à dádiva mais rica,
Tudo aquilo que dás a vida multiplica
Nos tesouros de amor da glória que te espera!...

AUTA DE SOUZA

FONTE: Poetas Redivivos, Diversos Espíritos. 2.ed. FEB, 1969p.61

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LIVRO DO MÊS

Missionários da Luz
Pelo Espírito André Luiz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier Rio de Janeiro, RJ: FEB. 20 capítulos

Emmanuel, na apresentação da obra, esclarece que “na consecução da tarefa superior, congregam-se encarnados e desencarnados de boa vontade, construindo-se a ponte de luz, através da qual a Humanidade transporá o abismo da ignorância e da morte.” Convida, igualmente, a que se estabeleça contato com André Luiz, que” vem ao teu encontro, para dizer-te algo do serviço divino dos Missionários da Luz.”

Amigo leitor. Lê atentamente essa obra, reflete e sente a importância dos sagrados deveres que a Terra te designou para cada dia, nessa abençoada reencarnação.

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VULTO DO ESPIRITISMO

BADY ELIAS CURI

Figura das mais conceituadas e queridas em Belo Horizonte , Bady Elias Curi não foi apenas o incansável colaborador do Movimento Espírita, com repercussão favorável em todo o Estado de Minas Gerais. Legou-nos exemplos de bondade, de fraternidade, destacando-se também na abnegada colaboração que prestava a tarefas assistenciais, procurando proporcionar amparo material e espiritual aos mais carentes.

Bady Elias Curi nasceu em Mehd, no Líbano, a 13 de fevereiro de 1903. Era filho de Elias Curi e D. Maria Miguel Curi. O seu irmão mais velho, José Elias Curi, já vivia no Brasil, na vila de São Pedro do Pequiri (MC). Em 1913, juntamente com sua mãe, emigrou para o Brasil e foi residir em companhia do irmão.

Em 1921, contava ele 18 anos de idade, quando iniciou as suas atividades no Espiritismo, levado por Claudino Dias, na cidade de Barra do Piraí (RJ), fundador do Grêmio Espírita de Beneficência, em 1886, e do Asilo Espírita “Santo Agostinho”, em 1920, para velhice desamparada. Bady era tão correto e tão estudioso que Claudino Dias não teve dúvida de confiar-lhe a direção do Centro, o que fez com elevado espírito de colaboração e competência.

Transferindo-se para Belo Horizonte, onde se fixou definitivamente, estabeleceu- se no comércio. Casou-se com d.Maria de Oliveira Curi. Do consórcio nasceram os filhos Léa Curi Viana, casada com Edson Albuquerque Viana, e Bady Raimundo Curi (estudante de Direito), que na época da sua desencarnação estava no quarto ano. Deixando ainda dois netinhos: Mariléa e André Luiz.

Em 1943, associou-se à União Espírita Mineira, entidade federativa daquele Estado, sendo eleito vice- presidente em 1948. Com a desencarnação do dr. Camilo Rodrigues Chaves, em 3 de fevereiro de 1955, Bady foi eleito presidente. Deixou assinalados serviços à Causa Espírita. Na UEM criou a Farmácia Homeopática, o Gabinete Dentário, o Serviço de Assistência Jurídica e outros departamentos e ampliou o estudo doutrinário e evangélico.

Lutou pelos ideais da Unificação sugeridos pelo Pacto Áureo, em 1949, e nessa tarefa visitou quase todas as Casas Espíritas de Minas Gerais, realizando palestras para esclarecer o programa da Unificação, incentivando ainda campanhas para criação das sedes próprias.

Ao mesmo tempo era conselheiro do Hospital Espírita André Luiz; presidente de honra do Solar Espírita Joana D'Arc; presidente da Sopa dos Pobres; presidente do Centro Espírita Luz, Amor e Caridade. Foi fundador das seguintes instituições: Colégio O Precursor, do Cenáculo Espírita Thiago Maior”; da Sopa dos Pobres (Sociedade de Amparo à Pobreza); Escola Primária Paschoal Comanducci; Cenáculo Espírita Antônio de Pádua, Centro Espírita Judas Thadeu; da Congregação Espírita Feminina Casa de Bethânia; e o Centro Espírita Francisco de Assis. Teve participação destacada em diversos Congressos Espíritas nacionais e pan-americanos.

Bady Elias Curi retornou à Pátria Espiritual no dia 30 de março de 1962, na cidade de Belo Horizonte, no exercício da presidência da União Espírita Mineira. Ainda hoje aqueles que o conheceram recordam de seu trabalho e da sua voz empolgada na defesa dos ideais cristãos, convicto de que o Espiritismo é a porta da Esperança para um Mundo melhor.

Revista Internacional do Espiritismo, Matão, maio de 1994, p.120

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LEMBRETE FRATERNO

Reflexões sobre os Escritos Espíritas

Não há outro critério, senão o bom senso, para se aquilatar do valor dos Espíritos. Absurda será qualquer fórmula que eles próprios dêem para esse efeito e não poderá provir de Espíritos superiores.”
O LIVRO DOS MÉDIUNS - Cap. XXIV – Da Identidade dos Espíritos, nº 267-1º

Com certa regularidade, vem à baila nas rodas espiritistas a questão da qualidade nos escritos doutrinários e a preocupação com as interpretações que pessoas menos avisadas possam ter, em face dos conceitos e colocações de sentido questionável.

A literatura espírita está se desenvolvendo, na medida em que a doutrina também se desenvolve e existe uma predisposição nas pessoas para divulgar e multiplicar aquilo que lhes vai no coração.

Todavia, é preciso método e razão, para que a afirmação doutrinária não se transforme em arrazoados pessoais, muitas vezes produto de inspirações frívolas, como nos ensina Kardec no capítulo X – Da Natureza das Comunicações – em O Livro dos Médiuns .

Especial atenção deve ser prestada para muitas obras apresentadas como de caráter mediúnico, mas carentes de conteúdo doutrinário, plenas de especulações e tendenciosas no sentido de confundir aqueles que estejam interessados em conhecer o Espiritismo. Assim é com muitos escritos rotulados como espíritas, obra mediúnica.

Kardec é definitivo quando nos leciona que "não há outro critério, senão o bom senso...", enfatiza também a necessidade do ‘crivo da razão' para que possamos tirar o real proveito daquilo que nos é dado para ler e aprender. A esse respeito, vamos encontrar na Revista Espírita de agosto de 1861, um ilustrativo artigo do Espírito Erasto, recebido na Sociedade Espírita de Paris, onde se analisa a Influência Moral dos Médiuns nas Comunicações. Neste importante texto, o amigo espiritual é taxativo ao dizer: " Na dúvida, abstém-te, diz um de vossos antigos provérbios; não admitais, pois, senão o que vos é de uma evidência certa. Desde que uma opinião nova surge, por pouco que ela vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica, o que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai-o ousadamente; mais vale repelir dez verdades, do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa." ( o grifo é nosso).

As informações que possam gerar contradições, em nada contribuem para o aprimoramento doutrinário, a não ser, exaltar o orgulho e a vaidade de quem as escreve ou de quem as inspira... É preciso que tenhamos em mente, as advertências de que o fato de um Espírito emitir conceitos não significa que ali estejam verdades incontestáveis pois o estado espiritual, não necessariamente, confere superioridade e isso podemos ver na publicação Caderno Doutrinário, que foi organizado e distribuído pelo Centro Espírita 18 de Abril, em seu número 5, de março de 1959, onde o redator, para mostrar os cuidados de Kardec na elaboração do Livro dos Espíritos , escreveu :" É portanto, uma obra de origem espiritual, em sua essência. Convém notar, entretanto, que esses ensinos não foram apenas recebidos, aceitos e colecionados por Allan Kardec, sem exame, sem críticas. Não. É necessário, por isso mesmo, não perder de vista a parte humana, isto é, a parte pessoal de Allan Kardec em relação às comunicações dos Espíritos e à idoneidade dos médiuns." Mais adiante, continua: " É oportuno lembrar que muitas comunicações foram por ele rejeitadas, por falta de concordância lógica".

E isso, numa situação onde, por princípio, a espiritualidade estava à postos, pois tratava-se do nascedouro da Terceira Revelação... Como não serão oportunos os cuidados atuais, numa época de tantas decisões importantes, nas escolhas entre as trevas e a luz.

Nas obras básicas do Espiritismo vamos encontrar as ferramentas necessárias e suficientes para que saibamos entender os escritos atuais. Não é licito rejeitarmos a literatura espírita e só nos atermos aos escritos basilares, Eles são básicos exatamente para poderem suportar o edifício informativo, importante para o nosso aprimoramento, lembrando que no capítulo I de A Gênese , ao analisar o Caráter da Revelação Espírita, Kardec disse que " O Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará." Esse caráter universal e eterno do Espiritismo, não fecha fronteiras, pelo contrário, abre-as para as mentes progressistas dos aprendizes da Verdade.

Yvonne Pereira, a mestra querida, no importante livro Devassando o Invisível, dá bem uma dimensão do que é o ‘crivo da razão', no capítulo VII – O amigo beletrista" , o qual vale a pena ser lido. É um bem fundamentado resumo do que é o joio e o trigo em nossa literatura.

A liberdade de escrever é diretamente proporcional à responsabilidade do que se escreve, e isto é verdadeiro para os dois planos da vida, tanto para quem escreve, como para quem publica o que foi escrito, e essa responsabilidade, como sabemos, é irrevogável.

Assaruhy Franco de Moraes

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PÁGINA AO JOVEM

O BALDE

Quando menino, eu era muito inconstante e preguiçoso.
Faltava-me persistência, inclusive para os estudos.
Um dia, quando eu brincava no quintal, meu avô chamou-me e mostrou-me, no soalho do galpão, um grande balde cheio de água.
Tinha na mão uma linda pêra, lisa e brilhante, que, de imediato, despertou a minha cobiça. Entretanto, para
minha decepção, ele não ma deu. Pegou o fruto, delicioso e maduro, e colocou-o na água, onde ele ficou a flutuar.
E então me disse:
— Você quer essa pêra, não quer? Pois ela será sua. Mas você terá de apanhá-la, sem o auxílio das mãos, só com os dentes.
A pêra era tentadora e eu atirei-me à tarefa que, de início, até me pareceu divertida.
Entretanto, aos poucos, fui me cansando e terminei por desistir, sem lograr o objetivo.
Meu avô, porém, incitava-me a tentar de novo, a redobrar esforços.
E, ao cabo de algum tempo — eu já estava com as costas doendo e alagado de suor —, consegui abocanhar a fruta. E foi com orgulho que a entreguei ao meu avô.
Então ele me disse com simplicidade, sorrindo bondosamente:
- Você viu como é agradável a sensação que teve ao vencer? Se quiser ter para si os frutos bons da vida e sentir sempre essa maravilhosa emoção que o faz sorrir, lembre-se sempre disto: é preciso persistir, persistir e persistir. Tome, a pêra é sua; você vê que, agora, tem mesmo direito a ela.
A lição impressionou-me profundamente.
E hoje, toda vez que me sinto inclinado ao desânimo, lembro-me daquela experiência com a pêra e atiro-me para a frente, com redobrados esforços.

mpara teu filho ainda hoje, conduzindo-o nas veredas do bem, a fim de que não lhe chores a perda, amanhã, nas constantes arremetidas do mal. (Bezerra de Menezes)

Fonte: RODRIGUES, Wallace Leal. E, para o resto da vida. 5.ed. Matão, SP: O Clarim. p. 28

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NO MUNDO DO ESPERANTO

A PRECOCIDADE DE ZAMENHOF (1)

Lendo a biografia de Zamenhof, não se sabe no que mais se há de atentar: se no imenso coração que o fazia ver o mundo por um prisma muito diferente do humano; se na humildade com que confessava seus insucessos e dificuldades econômicas; se na perseverança indomável com que se sobrepunha, quase como um demente, aos preconceitos e oposições de aparência invencível; se na precocidade intelectual.

Na infância, fazia versos e compreendia problemas que os sábios não ousavam enfrentar. Aos dez anos tinha escrito uma tragédia em cinco atos. Em poucos meses aprendeu grego e latim. Em todas as matérias dos cursos obteve o primeiro lugar. Os mestres lhe profetizaram uma vida gloriosa. Em todos os sentidos era infinitamente superior ao meio, menos em situação econômica. Economicamente foi um insucesso; viveu e trabalhou a vida inteira como médico da pobreza que nada ou quase nada podia pagar, sofrendo privações as mais sérias e desconcertantes.

Sua precocidade não era só intelectual e moral, era até física. Aos 30 anos era um velho calvo; aos 45 tinha as barbas brancas e sentia-se um ancião de 60 anos.

Michaux, presidente do grupo esperantista de Boulogne, por quem Zamenhof tinha grande admiração, pediu-lhe uma carta em que lhe contasse sua vida e falasse de sua pessoa. Respondendo, disse Zamenhof que tinha certa dificuldade em o fazer, porque sua vida desde a infância era uma série ininterrupta de lutas internas e externas. Luta interna de ideais e aspirações imperativas, dominantes, mas opostos uns aos outros, cuja harmonização era dificílima de obter-se; luta externa com um mundo avesso a todos os seus ideais, disposto sempre a atacar e zombar, porque semelhantes ideais não estavam em moda.

Esse estado de luta permanente consigo mesmo e com o mundo, no entanto, não o impedia de trabalhar energicamente dia e noite, como se vê de volumes de sua produção. O mundo atacava e zombava, os Espíritos adversários sugeriam-lhe pensamentos opostos à sua missão e tentavam desviá-lo do caminho traçado, mas a sua verdadeira afinidade era com os Guias que o assistiam, de sorte que o trabalho não cessava nunca. Só à noite trabalhava pelos ideais, porque durante o dia pertencia aos doentes: atendia de 30 a 40 pessoas por dia no consultório. Condecorado pelo governo francês com a Legião de Honra e com outros títulos por outros governantes; possuindo na Áustria um monumento; homenageado pelo mundo todo; Zamenhof era um dos homens mais pobres e humildes do planeta!

Com o peso de tantas honrarias que o apavoravam, continuou viajando sempre de terceira classe nas estradas de ferro européias!

Amava apaixonadamente a sua língua nacional e sua pátria e sofria por vê-la dividida em grupos raciais, religiosos e lingüísticos que se hostilizavam canibalescamente. Conheceu os horrores dos pogroms, isto é, da matança em massa de judeus indefesos, de ambos os sexos e de todas as idades. Sua vida, do berço ao túmulo, foi de contrastes incessantes entre perseguições, insultos, zombarias, ataques, por um lado , e homenagens, honrarias, tributos de respeito, por outro. Conservar a serenidade nessas tempestades inclementes e incessantes, continuar sem um momento de hesitação a serviço da humanidade tão contraditória e violenta, foi a vida de Zamenhof em sua extraordinária missão na Terra.

Do livro: O Esperanto na Visão Espírita, de Ismael Gomes Braga, editado pela Sociedade Lorenz

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NOTÍCIAS:

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PARA LER REFLETIR

• “As grandes conquistas da Humanidade têm começo no esforço pessoal de cada um.
Disciplinando-se e vencendo-se a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, logrando resultados expressivos e valiosos.
Essas realizações, no entanto, têm início nele próprio”

Joanna de Ângelis ( Momentos de Coragem )

•  “A saúde do corpo muitas vezes começa no pensamento sadio.
Não dê guarida a mágoas e rancores. Entregue ao tempo toda ofensa.
Se você já é capaz de escolher o alimento de que o seu corpo necessita, também pode selecionar os pensamentos que nutrem seu espírito.
Se, quando a doença chega, você recorre ao médico, busque também a Jesus nos momentos de crise interior.
Tudo passa e o determinismo do espírito é a felicidade e a harmonia.
Um dia você devolverá à natureza o corpo amigo que serviu ao seu aprendizado no mundo, restando somente o que granjear na alma, depositária real de nossos destinos”

Scheila ( A mensagem do dia )

•  “Pensar e agir, defendendo nosso íntimo e nossos direitos inatos e, definindo nossas perspectivas pessoais, sem subtrair os direitos dos outros, é a imunização contra a autocrueldade”.

( Espelho d'Água , Hammed)

•  “ NÃO ESMOREÇAS

Tudo te está sendo dado para cumprires tua tarefa. Vê se aproveita o ensejo que te é oferecido e deixa um pouco teus prazeres pessoais para dedicar-te às incumbências que te encarregaste.
Leva a tua mensagem custe o que custar. Podem desmoronar-se todos os teus amores, podem afastar-se todos os teus amigos, podem caluniar-te todos os adversários: SEGUE!
Está agora em tuas mãos a tocha que acabas de receber, para passares a teu sucessor dentro de algum tempo. Nada perguntes: aceita e obedece. E não te esqueças de que a tocha foi entregue em tuas mãos. Cuida dela: és o responsável.
Aceita, ajuda e esquece.
Dá sem nada pedir!”

Fonte: Pastorino, Carlos Torres. Sugestões Oportunas. Brasília. 1980. Cap. 53

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