Centro Espírita Bezerra de Menezes

Zamenhof

Biografia de Zamenhof

Lázaro Luís Zamenhof nasceu em 15 de dezembro de 1859, na pequena cidade polonesa de Bialistoque, filho do professor de alemão e francês Marcos Zamenhof e de Rosália Zamenhof, ambos judeus.

O pai de Zamenhof tinha temperamento austero, pouco expansivo, enérgico e impunha ao menino desde cedo muita disciplina, o que muito contribuiu para o sucesso de sua tarefa; a mãe, de elevados sentimentos, se preocupava sempre em transmitir ao filho a importância do amor ao próximo, da solidariedade, da fraternidade.

O menino revelou-se uma criança pensativa e muito inteligente; o professor Marcos notou nele grande interesse em relação a idiomas e começou, desde cedo, a dar-lhe lições e a exercitá-lo em línguas, percebendo que o aprendizado se fazia com muita facilidade.

Assim, Zamenhof aprendeu a falar bem iídiche, russo, polonês e alemão; lia com facilidade latim, hebraico e francês; conhecia, embora mais teoricamente, grego, inglês, italiano e algumas outras línguas.

Zamenhof nasceu em uma região onde se sentia com muita intensidade o problema da comunicação entre as pessoas. Por ser judeu, desde cedo o menino sofria por causa do preconceito e do ódio contra esse povo; além disso, nessa época, a Polônia estava sob domínio russo e isso contribuía para a existência de várias comunidades com línguas, costumes e religiões diferentes, eram judeus, poloneses, russos e alemães sempre envolvidos em ódios, inimizades, conflitos, desconfianças, olhares zombeteiros, palavras de escárnio e até mesmo rixas sangrentas.

Dotado de grande sensibilidade e capacidade de observação, desde muito jovem ele presenciou numerosos episódios dessas desavenças envolvendo crianças e adultos e começou a procurar a causa desses tristes acontecimentos e também a solução. Desse modo, a idéia de pacificar a humanidade surgiu já na infância, mas cresceu em intensidade a partir da adolescência.

Depois de muito observar, Zamenhof começou a sonhar com uma língua neutra para ser ensinada a todos os povos como uma segunda língua, pois o entendimento que essa língua traria acabaria com as desigualdades e com as desavenças e seria capaz de unir a humanidade.

Inicialmente ele pensou no latim, mas abandonou essa idéia, por ser o latim por demais complexo por causa das irregularidades, declinações e conjugações.

Passou a acalentar o sonho de uma língua planejada, de gramática fácil, vocabulário não inventado, extraído do vocabulário latino-germânico. Fez a importante descoberta de que acrescentando afixos (prefixos e sufixos) às raízes latino-germânicas para lhes modificar o sentido, a língua planejada não precisaria de um vocabulário imenso para ser memorizado e isso facilitaria o aprendizado.

E Zamenhof começou a trabalhar com um objetivo definido, criar uma língua internacional.

No dia 5 de dezembro de 1878, com apenas 19 anos, ele reuniu em sua casa um grupo de colegas do Liceu onde ele cursava a última série e apresentou a gramática e um vocabulário da nova “língua internacional”, entre votos de fraternidade e entendimento entre os povos.

Depois da conclusão do curso secundário, o Professor Marcos decidiu que seu filho seria médico e o enviou à Universidade de Moscou, fazendo com que ele prometesse se dedicar totalmente ao estudo de medicina, abandonando totalmente a idéia da “língua internacional” até que ele se formasse. Pediu também que ele entregasse todos os cadernos com os registros da nova língua. Zamenhof obedeceu e manteve a palavra dada de se dedicar arduamente aos estudos médicos.

A situação financeira da família não permitiu que ele permanecesse em Moscou, após dois anos retornou, transferindo-se para a Universidade de Varsóvia para terminar os estudos.

Ao chegar em Varsóvia, o jovem desejou rever seu material contendo o esboço da “língua internacional”, mas foi informado pela mãe que os manuscritos foram destruídos pelo pai, julgando que, assim procedendo, fazia um bem para o filho, pois achava que a “língua internacional” perturbaria seu juízo.

Mesmo após a decepção sofrida, o sonho da criação de uma língua universal continuava cada vez mais forte. Resolveu de novo trabalhar no seu projeto, no pouco tempo que lhe restava após as horas de estudos de medicina, e o trabalho foi reconstituído sem dificuldades graças à sua prodigiosa memória.

Aproveitou do projeto original realmente o que lhe parecia bom, descartando o que não tinha solidez. Acrescentou novas idéias, novas descobertas, utilizou raciocínios novos e descobriu com alegria que a atitude do pai não tinha sido um mal, mas um estímulo à realização de um trabalho mais completo e mais aperfeiçoado.

Em janeiro de 1885, recebeu o diploma de médico, mas, ao iniciar a carreira profissional em modesto consultório em Wesseie, onde morava sua irmã Fania, não se adaptou à clínica geral porque o sofrimento das pessoas o perturbava muito. Por isso, resolveu fazer um curso de oftalmologia, ramo da medicina que combinava mais com seu temperamento, fazendo, depois, em Viena um curso de especialização. Ao terminar o curso, retornou a Varsóvia e montou um consultório na casa do pai.

Em 1986 conheceu Clara Zilbernik, filha de um comerciante de Kovno, que mais tarde seria sua esposa. Com sinceridade, diz à moça que a medicina não é o objetivo principal de sua vida e sim reunificar a humanidade por meio de uma língua internacional, mostrou-lhe seus apontamentos com os fundamentos do novo idioma e foi totalmente apoiado pela jovem, que depois se tornou grande colaboradora na divulgação da obra.

Dr. Lázaro e Clara ficaram noivos com a particular simpatia do Sr. Zilbernik, pai de Clara, que também apoiou o projeto do futuro genro e, como presente de casamento, deu a ajuda financeira para a publicação da primeira edição do livro. Assim, o “Primeiro Livro” foi lançado em 26 de julho de 1887 usando Zamenhof o pseudônimo “Doutor Esperanto”, que na nova língua significa “Doutor Esperançoso”.

O livro surgiu inicialmente em russo, depois em polonês, francês, alemão e inglês, contendo um prefácio, o alfabeto, as 16 regras gramaticais, textos, poemas, o “Pai Nosso”e um vocabulário com 900 raízes.

O êxito do “Primeiro Livro” foi muito grande; no ano seguinte foi lançado o “Segundo Livro”, já todo escrito na Língua Internacional que passou a se chamar Esperanto.

Zamenhof começou a receber dos leitores promessas de estudo da língua, cartas com estímulos e conselhos; em outubro de 1889 saiu a primeira lista de endereços contendo os nomes de mil esperantistas de diversos países; em pouco mais de dois anos já existiam 29 obras publicadas.

Em 1o de setembro de 1889, surgiu o primeiro número de “O Esperantista”, jornal de circulação mensal, mantendo ligados os simpatizantes do Esperanto de todo o mundo e dando-lhes notícias dos progressos do movimento esperantista já internacional.

O sucesso da Língua Internacional era muito grande, mas o Dr. Lázaro ainda não conseguira se firmar profissionalmente. Os dois primeiros filhos, Adão e Sofia, já tinham nascido, as despesas eram grandes, o consultório estava sempre vazio e, se aparecia alguém, era tão pobre que não podia pagar.

As dificuldades materiais em Varsóvia continuavam muito grandes, ele tentou a sorte em Herson, mas encontrou a mesma escassez de clientes, a mesma dificuldade em receber pagamento e resolveu retornar à capital polonesa onde deixara a família.

Em Varsóvia, assumiu a responsabilidade de editar “O Esperantista”, mas a situação financeira era insustentável, o valor das assinaturas cobria apenas metade do valor gasto com a impressão. Em fins de 1891, Zamenhof teve que comunicar pelo “O Esperantista” que interromperia seu trabalho em favor do Esperanto por absoluta falta de recursos materiais.

Mas, no mesmo número do jornal, em pequena nota acrescentada no último momento, informou ter recebido ajuda de um simpatizante da causa, que garantiria a saída regular do jornal sem interrupção.

Essa ajuda vinha de W. H. Trompeter, fundador do grupo esperantista de Schalke, na Alemanha, modesto agrimensor, que embora não sendo rico, forneceu os recursos necessários para manter o jornal durante três anos, além de um salário para o redator.

Com a expansão e emancipação do movimento esperantista, o Dr. Lázaro pôde se dedicar mais ao exercício de sua profissão. Permaneceu em Grodno de 1893 a 1897, fez um novo curso de especialização em Viena e, em 1898, mudou-se com a família para o bairro judeu de Varsóvia , montando um consultório na rua Dzika, no 9.

Agora o consultório estava sempre cheio, tornou-se figura muito querida por causa de sua simpatia , modéstia, preços baixos, muitos até mesmo tratava de graça. Durante o dia estava sempre ocupado com seus pacientes, só à noite ele podia dedicar-se ao Esperanto, escrevia obras, artigos para jornais, fazia traduções, respondia cartas dos adeptos.

Até então esperantistas isolados haviam verificado em viagens a possibilidade da língua como instrumento de comunicação oral, mas isso acontecia apenas ocasionalmente. Agora começaram a pensar em realizar algo em escala maior, um congresso universal.

O primeiro congresso internacional de Esperanto ocorreu em 1905, em Boulogne-sur-Mer, na França, com muito sucesso.

Em 26 de julho de 1905, Zamenhof desembarcou na Gare du Nord, em Paris, sendo recebido calorosamente pelos esperantistas franceses, ficando hospedado na casa do famoso oftalmologista Javal. Foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra, almoçou com autoridades e cientistas na Torre Eiffel, recebeu inúmeros convites para participar como convidado de honra em solenidades, visitou a Sociedade Gráfica Esperantista, foi recebido na Prefeitura Central , participou em um banquete em sua homenagem no Hôtel Moderne.

Em Boulogne-sur-Mer foi recebido com triunfo e experimentou a grande satisfação de por toda parte ouvir falar Esperanto, ora fluentemente, ora com lentidão, mas falava-se uma mesma língua e a compreensão era total.

E na noite da inauguração do congresso, depois de os presentes entoarem o hino “La Espero” (A Esperança), surgiu Zamenhof, baixo, calvo, de barba grisalha, tímido, aplaudido com muito entusiasmo ao proferir o seu discurso e recitar o famoso poema “Prece sob o Estandarte Verde”.

Ano após ano os congressos universais vão trazendo progressos ao movimento esperantista além de constituírem um poderoso veículo de propaganda do Esperanto, só tendo havido interrupção por ocasião das duas grandes guerras.

Em 1914 Zamenhof ficou profundamente abalado com o início da guerra mundial, adquiriu uma doença cardíaca que foi se agravando e, no dia 14 de abril de 1917, com apenas 57 anos, partiu para a pátria espiritual. No enterro de seu corpo estiveram presentes os esperantistas de Varsóvia e a população pobre do bairro judeu que ele tanto ajudou.

A semente lançada por ele germinou e agora a árvore dá frutos. O movimento esperantista prossegue sempre com sua mensagem de confraternização universal.